“Mães empresárias buscam mais tempo com os filhos “

Movimento já recebeu o nome de empreendedorismo materno no mundo dos negócios

Uma coisa que ninguém duvida é que a maternidade muda a vida de uma mulher, inclusive profissionalmente.

E grande parte delas sofre só de imaginar ter que voltar ao trabalho poucos meses depois do nascimento dos filhos.

É nessa hora que muitas desistem de seus antigos empregos e partem em busca de alternativas que lhes permitam aproveitar melhor o tempo como mães.

Empreendorismo

Esse movimento já tem nome e é conhecido no mundo dos negócios como empreendedorismo materno.
Suelem Sacamoto, 31 anos, Thaiane Guerra Caetano, 28, Carolina de Agostino, 26 e Natália Ferreira, de 29 anos, são alguns exemplos de mulheres que se reinventaram e se descobriram como empresárias após o nascimento dos filhos.

Foi depois da chegada de Valentina, há 3 anos, que Suelem Sacamoto – formada em Direito, com especialização em Gerenciamento Ambiental – decidiu desacelerar e só cuidar da filha.
“Me senti despreparada para terceirizar os cuidados com ela”, disse.

Roupas infantis

Com a ajuda da avó modista, ela começou a fazer roupas para Valentina. “Os amigos foram vendo e gostando, até que vi nisso uma oportunidade de negócio”, afirma. Foi aí que surgiu sua marca, Titina Ateliê Infantil.

Com horário flexível, hoje ela tem o ateliê em casa e a Valentina por perto. “Foi a melhor alternativa que encontrei, pois participo da vida dela de forma integral”, frisa.

E o negócio deu certo. “Hoje, o tenho como minha única fonte de renda”, conta. “Era um sonho que fui atrás e sou realizada. As mães deveriam se arriscar, pois esta é uma forma de vida muito feliz”, conclui.

Mães profissionais

Histórias de mães trabalhadoras, empreendedoras, autônomas e inovadoras não faltam. As irmãs Carolina de Agostino e Natália Ferreira trabalhavam na locadora de vídeo da família. Mas, ao engravidarem – as filhas Manuela e Maya, de 1 ano, têm apenas um mês de diferença – viram que não seria fácil continuar trabalhando e dar a criação que queriam às crianças.

“Não podíamos nos dar ao luxo de não trabalhar”, conta Carolina. Assim, elas resolveram abandonar a profissão e empreender para ficarem perto das filhas. “Escolhemos o ramo de alimentação pela oportunidade de dar um retorno mais fácil”, diz. Foi aí que surgiu a CupCup Cupcakes Artesanais.
Segundo Carolina, a mudança valeu a pena. “Além de estarmos realizadas profissionalmente, ainda temos as filhas por perto”, frisa.

Para as irmãs, a grande vantagem no empreendedorismo materno é a flexibilidade de horários. “Se minha filha adoece, posso ficar com ela e tenho minha irmã para cuidar da empresa. Uma ajuda a outra e a prioridade são os filhos”, garante.

E o negócio está crescendo. Hoje, além dos cupcakes, elas produzem brigadeiros, bem-casados, trufas e bombons trufados.

Mudança

Outra grande mudança aconteceu na vida de Thaiane Guerra Caetano. Antes do filho Nicolas, de 4 anos, nascer, ela trabalhava como enfermeira emergencialista. “Quando ele tinha quase cinco meses eu voltei a trabalhar. Mas foi um choque”, conta. “Então, decidi largar tudo. A maternidade me mudou, eu não sabia mais lidar com a morte”, completa.

Porém, logo o orçamento apertou. Foi então que a produção caseira de sling (suporte de tecido para carregar criança) se tornou um negócio lucrativo. Nasceu a Mamãe Sunny. “Fui a primeira empresa em Ribeirão a produzir sling. Trouxe esse conceito para a cidade”, diz.

Hoje, a marca está presente em quase quatro mil famílias e faz entregas para todo o Brasil.
Thaiane ainda se especializou em obstetrícia e hoje também é parteira. “Nada disso teria acontecido se meu filho não tivesse chegado à minha vida. Hoje sou bem-sucedida, faço o que gosto e posso criar meu filho de perto”, finaliza.

Nascidos da necessidade

Para a gerente regional do Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), Iroá Arantes, o tipo de empreendimento das irmãs Carolina e Natália e da enfermeira Thaiane nasce da necessidade de aliar uma atividade profissional, que promova rendimento, com ter mais tempo para a maternidade.
“E a maioria das mulheres enxerga oportunidades dentro do universo das crianças e das mães. É comum desenvolver atividades para agradar a esses públicos”, diz.

Auto-confiança

Para ela, a grande vantagem é que a mãe consegue adequar os horários profissionais às atividades maternas. “Elas precisam trabalhar bem a independência e a auto-confiança para desenvolverem bem as duas atividades. Têm que ter um comportamento empreendedor”, conclui.

ANÁLISE

Uma troca fundamental

“Do ponto de vista psicológico, é fundamental para a constituição de um psiquismo na criança a relação mãe-criança nos primeiros anos de vida. É por intermédio dessa relação – marcada pela linguagem, gestos, palavras, interpretações, toques, cuidados básicos – que a criança conhecerá o mundo, os objetos, seu próprio corpo, etc. Do ponto de vista da mãe também é fundamental porque é apenas nessa relação com a criança que ela poderá se constituir como mãe. Para isso, é preciso tempo, mas não significa exclusividade. É importante encontrar saídas que não impliquem abrir mão do próprio desejo. Assim, a escolha por empreender pode ser uma saída interessante na medida em que seja também um desejo próprio”.

Juliana Augusta Soares, psicóloga

(Matéria de Gabriela Virdes, Jornal A Cidade, 10/5/2015)

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